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As ondas de calor repentinas, acompanhadas de rubor e sudorese — os famosos fogachos — estão entre os sintomas mais incômodos da menopausa. No Brasil, eles afetam mais de um terço das mulheres entre 40 e 65 anos de forma moderada a intensa, e podem persistir por anos, prejudicando o sono, o trabalho e a qualidade de vida.

Em junho de 2026, a Anvisa aprovou o registro de um medicamento pensado especificamente para esse sintoma: o fezolinetanto, que chega ao mercado brasileiro com o nome comercial Veoza. É a primeira opção não hormonal desenvolvida com esse objetivo específico, e isso muda o cenário para muitas pacientes.

Como ele funciona

Antes da menopausa, existe um equilíbrio entre o estrogênio e uma substância chamada neurocinina B, que atua sobre uma região do cérebro responsável por regular a temperatura do corpo. Quando os níveis de estrogênio caem, esse equilíbrio se desfaz e a neurocinina B passa a estimular mais intensamente essa área, desencadeando as ondas de calor e os suores noturnos.

O fezolinetanto age bloqueando o receptor que a neurocinina B usa para se ligar a esses neurônios — sem repor hormônio nenhum. Na prática, isso ajuda a restaurar a regulação da temperatura corporal, reduzindo a frequência e a intensidade dos episódios.

Para quem é indicado

O grande diferencial é justamente não ser hormonal. Isso o torna uma alternativa interessante para mulheres que não podem fazer terapia de reposição hormonal — por histórico de câncer de mama, eventos cardiovasculares ou trombose, por exemplo — ou que simplesmente preferem não usar hormônios, mesmo sem contraindicação médica.

O que os estudos mostraram
O que ainda falta

Apesar do aval da Anvisa, o Veoza ainda não tem data de lançamento oficial no mercado brasileiro nem preço definido. Ou seja: por ora, ainda não está disponível para prescrição no dia a dia — mas é uma alternativa real que deve chegar às farmácias em breve.

Vale reforçar: mesmo sendo não hormonal, todo medicamento novo precisa ser avaliado individualmente. Fatores como outras condições de saúde, medicações em uso e o perfil de cada paciente influenciam se — e quando — essa é a melhor opção. Assim que o Veoza estiver disponível no mercado, vamos poder conversar sobre ele nas consultas com mais detalhes.

Se os fogachos, os suores noturnos ou outros sintomas do climatério estão afetando sua rotina, não é preciso esperar o lançamento dessa medicação específica para buscar ajuda — já existem hoje diferentes abordagens, hormonais e não hormonais, que podem trazer alívio. O primeiro passo é uma avaliação individualizada.

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Fontes: Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM); Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Resolução 2.430/2026; Astellas Farma Brasil.

Dra. Júlia Stephan — Ginecologista e Mastologista · Botafogo, Rio de Janeiro · CRM 52-0108337-6/RJ