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Prótese de silicone não é motivo para deixar o rastreamento de lado. A recomendação para quem tem implante é a mesma que vale para qualquer mulher: manter a mamografia em dia, de acordo com a idade e os fatores de risco individuais.

Como funciona o exame em quem tem implante

A mamografia em mulheres com prótese inclui um passo extra: a manobra de Eklund. Nela, o implante é afastado do restante do tecido, empurrado para junto da parede do tórax, enquanto a mama é puxada para a frente do aparelho — abrindo espaço para fotografar áreas que, de outra forma, ficariam encobertas pela prótese. O resultado prático é o dobro de imagens em relação a um exame convencional: 8 no total, em vez de 4.

O implante atrapalha a detecção do câncer?

Sim, um pouco — e vale explicar por quê. O silicone é bastante denso na imagem de raio-X, então pode mascarar justamente a região mais próxima das costelas, tornando o exame menos sensível do que seria numa mama sem prótese.

Dito isso, três coisas colocam esse dado em perspectiva:

A mamografia pode romper o implante?

É extremamente raro. O exame exige compressão da mama — isso faz parte da técnica, ajuda a formar uma imagem nítida e mantém a dose de radiação baixa — e quem faz o procedimento sabe redobrar o cuidado quando há prótese envolvida. Sentiu dor fora do comum durante o exame? Vale dizer na hora, para que a pressão seja reajustada. Levando tudo em conta, o que se ganha em diagnóstico precoce pesa muito mais do que esse risco pontual.

Precisa de outros exames além da mamografia?

Às vezes sim, como complemento:

Avise sempre que tem prótese ao marcar o exame

Um detalhe simples faz diferença: comente sobre a prótese já na hora de marcar a mamografia. Com essa informação, a clínica separa um tempo maior de agenda (o exame com as imagens extras leva mais tempo), e tanto quem realiza quanto quem interpreta as imagens já entram preparados para o que vão encontrar. Detalhes como o material da prótese, se ela fica acima ou abaixo do músculo peitoral, e a época em que foi colocada também ajudam bastante.

Resumindo

No fim, a mensagem é simples: prótese não tira ninguém da rota do rastreamento. Continue com a mamografia no calendário certo, avise sobre o implante sempre que for agendar, e não abra mão do autoexame e das consultas de rotina — são esses hábitos, juntos, que fazem a diferença na detecção precoce.

Tem prótese e está com dúvidas sobre o rastreamento?

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Fonte: Conteúdo baseado no artigo "Quem Tem Silicone Pode Fazer Mamografia?", publicado pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) em 22 de junho de 2026.

Referências citadas pela SBM no artigo original:

  1. ACR Appropriateness Criteria® Breast Implant Evaluation: 2023 Update. Journal of the American College of Radiology, 2023. Chetlen A, Niell BL, Brown A, et al.
  2. ACR Appropriateness Criteria® Breast Implant Evaluation: Update 2025. Journal of the American College of Radiology, 2026. Expert Panel on Breast Imaging, Bennett DL, Brown A, et al.
  3. Effect of Breast Augmentation on the Accuracy of Mammography and Cancer Characteristics. JAMA, 2004. Miglioretti DL, Rutter CM, Geller BM, et al.
  4. Appropriate Screening Mammography Method for Patients With Breast Implants. Scientific Reports, 2023. Park J, Ko EY, Han BK, et al.
  5. Implant-Displacement Views Alone for Breast Cancer Screening in Women With Implants: A Multicenter Retrospective Study. European Radiology, 2026. Eom HJ, Kim HH, Kim SH, et al.
  6. Breast Cancer Following Augmentation Mammaplasty: A Case-Control Study. Plastic and Reconstructive Surgery, 2018. Sosin M, Devulapalli C, Fehring C, et al.
  7. Breast Implants: Common Questions and Answers. American Family Physician, 2021. Schrager S, Lyon SM, Poore SO.

Dra. Júlia Stephan — Ginecologista e Mastologista · Botafogo, Rio de Janeiro · CRM 52-0108337-6/RJ